Se você trabalha com Gestão de Pessoas, Segurança do Trabalho ou gestão empresarial, provavelmente já ouviu falar sobre as mudanças na NR-1. E não é por acaso. A nova redação da norma trouxe os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho para dentro do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, o GRO.
Na prática, isso amplia o olhar que as empresas precisam ter sobre os riscos presentes no ambiente de trabalho. Não basta olhar apenas para ruído, iluminação, produtos químicos ou riscos de acidentes. É preciso olhar também para como o trabalho é organizado e como ele é realizado.
E é justamente aí que a Ergonomia entra.
Afinal, o que são riscos psicossociais?
Quando falamos em riscos psicossociais, estamos falando de fatores relacionados à organização, às condições e às relações de trabalho. Alguns exemplos são a sobrecarga de trabalho, a pressão excessiva por resultados e o ritmo intenso. Também podemos citar a falta de autonomia, a ausência de suporte e problemas relacionados à comunicação.
Situações de assédio e violência no trabalho também precisam ser consideradas. Esses fatores podem afetar a saúde e o bem-estar dos trabalhadores. Por isso, não devem ser tratados simplesmente como um problema individual.
É preciso olhar para o contexto. Um trabalhador pode estar enfrentando uma situação de estresse, mas o que está acontecendo na organização do trabalho? Existe excesso de demandas? As metas são compatíveis com o tempo disponível? Existem pausas suficientes? O trabalhador possui autonomia para realizar suas atividades? Existe suporte da liderança?
Essas são algumas das perguntas que precisam fazer parte dessa análise.
E onde entra a Avaliação Ergonômica Preliminar?
É justamente nesse cenário que a Avaliação Ergonômica Preliminar, a AEP, ganha ainda mais importância. A AEP já faz parte da NR-17 e tem como objetivo identificar e avaliar situações que possam representar riscos ergonômicos no trabalho.
Com a atualização da NR-1, essa avaliação passa a ter ainda mais relevância dentro do gerenciamento dos riscos ocupacionais. Isso porque a Ergonomia não olha somente para a postura do trabalhador. Ela considera a atividade como um todo.
E isso inclui a organização do trabalho. Durante uma avaliação, podem ser observados fatores como ritmo, exigências da atividade, distribuição das tarefas, pausas e jornada. Também podem ser analisadas questões relacionadas à autonomia, comunicação e suporte.
O objetivo é entender o trabalho real. Afinal, nem sempre aquilo que está descrito em um procedimento corresponde ao que realmente acontece durante a rotina.
Não é apenas aplicar um questionário
Esse é um ponto importante. Avaliar riscos psicossociais não significa simplesmente entregar um questionário para os trabalhadores e transformar as respostas em um gráfico.
A avaliação precisa fazer sentido dentro da realidade daquela empresa. É necessário entender o trabalho, observar as atividades, conversar com os trabalhadores e conhecer a organização. Só assim é possível identificar situações que realmente possam representar riscos.
O foco também não deve ser diagnosticar a saúde mental dos trabalhadores. A questão é outra. O que precisa ser investigado são os fatores relacionados ao trabalho que podem contribuir para o surgimento de problemas.
Essa diferença é fundamental.
Por que a empresa deveria começar agora?
Esperar uma fiscalização ou um problema para começar a olhar para os riscos não é a melhor estratégia. A prevenção começa antes.
Uma avaliação bem conduzida pode ajudar a empresa a identificar situações que talvez ainda não tenham recebido a devida atenção. Isso permite agir antes que um problema se torne maior.
Além da questão legal, existe também uma questão de gestão. Um ambiente de trabalho mal organizado pode gerar consequências para a empresa, como aumento de afastamentos, queda de produtividade, maior rotatividade e conflitos entre equipes.
Também pode haver dificuldade na retenção de profissionais e, principalmente, impactos na saúde dos trabalhadores. Por isso, cuidar da organização do trabalho também é cuidar do próprio negócio.
A AEP não é igual para todas as empresas
Outro ponto que merece atenção é que não existe uma avaliação pronta que sirva para qualquer empresa. Cada atividade possui suas características e apresenta desafios diferentes.
Uma indústria possui uma realidade diferente de um escritório. Um supermercado possui demandas diferentes de um hospital. Um centro de distribuição possui uma organização diferente de uma empresa de tecnologia.
Até mesmo dois setores da mesma empresa podem apresentar riscos completamente diferentes. Por isso, a avaliação precisa considerar a realidade de cada situação de trabalho.
Quanto mais próxima da realidade, mais útil será a avaliação.
E agora?
Se a sua empresa ainda não sabe por onde começar, este pode ser um bom momento para revisar as avaliações ergonômicas existentes.
A Avaliação Ergonômica Preliminar pode ajudar nesse processo. Ela permite identificar os riscos presentes nas situações de trabalho e direcionar as medidas de prevenção. Quando necessário, também pode indicar a necessidade de uma avaliação mais aprofundada.
A mudança da NR-1 pode parecer apenas mais uma obrigação. Mas também pode ser uma oportunidade.
Uma oportunidade para olhar para o trabalho de uma forma mais completa. Para entender melhor as dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores. E para construir ambientes mais seguros, saudáveis e adequados.
Sua empresa está preparada?
Os riscos psicossociais já fazem parte da conversa sobre Segurança e Saúde no Trabalho. Agora é hora de transformar essa preocupação em ação.
A Ergoli é uma consultoria especializada em Ergonomia e oferece serviços de Avaliação Ergonômica Preliminar, considerando os diferentes fatores presentes nas situações de trabalho, inclusive os fatores de risco psicossociais relacionados à organização do trabalho.
Entre em contato com a Ergoli e conheça nossos serviços de consultoria em Ergonomia. Sua empresa pode começar agora a se preparar para essa nova realidade.


